Ciúme é bom e criativo quando leva os parceiros a melhorar a relação
O sentimento é inerente à natureza humana e por isso mesmo se tornou um dos temas mais recorrentes nas artes. Quase sempre está presente nas relações amorosas. Em geral é perigoso, sobretudo em excesso, pois às vezes leva ao fim do amor e até mesmo a tragédias. Mas pode ser bom e criativo se os parceiros buscarem suas causas e procurarem melhorar o relacionamento.
por Leniza Castello Branco*
O poeta Vinicius de Moraes diz, em seu poema Medo de Amar, que “o ciúme é o perfume do amor”. Seria mesmo o sentimento um sinal de amor? O assunto é controverso. É provável que, se questionados, muitos tenham dúvida. Mas o ciúme é inerente aos humanos. Por isso se tornou um dos temas mais recorrentes nas artes.
Os seres humanos já nascem ciumentos. Quando um bebê vem ao mundo, é comum um irmãozinho se sentir traído pelos pais. Afinal, recebia toda a atenção e agora terá de dividi-la com outro. Isso pode ser motivo de sofrimento. Se os pais souberem lidar com a situação e derem ao pequeno a segurança necessária, ele aprenderá a se controlar. O ciúme está ligado ao desejo de ser amado e à vontade de possuir, de dominar.
O sentimento quase sempre está presente nas relações amorosas. É saudável os parceiros sentirem um pouco de ciúme. Até dá “cor” ao amor. Mas, dependendo da intensidade, da motivação e da freqüência, pode se tornar perigoso. É normal sentir ciúme quando houve uma traição, por exemplo. Para quem já passou por isso, qualquer suspeita desperta o ciúme. É natural que o traído perca o controle e a razão.
Mas não é saudável quando o ciumento é dominado por ele, quando se sente inseguro, tem pensamentos obsessivos e qualquer comportamento do outro é considerado suspeito. Emocionalmente, o ciumento está no mesmo nível do bebê: é só emoção, abandono, raiva e frustração. O ciumento sofre duas vezes: quando sente ciúme e ao se culpar por senti-lo. Em geral ele é inseguro, não acredita que alguém possa amá-lo, sua auto-estima é baixa e por isso mesmo acha que vai ser traído. Muitas vezes se comporta de uma forma que favorece a traição. Então rompe a relação e assim tem certeza de que estava certo. Quando isso ocorre é um alívio, pois não sofre mais com inseguranças e desconfianças. Se o companheiro o traiu, é prova de que tinha razão. Sente que não delirava nem criava fantasmas onde não havia. No ciúme obsessivo, a pessoa quer o parceiro como sua propriedade e posse, não permitindo que fale com outras pessoas. Às vezes não suporta nem que olhe para alguém mesmo na televisão ou em revistas. Quer controlar o que veste, aonde vai, horários, telefonemas, o olhar, o sorriso, os pensamentos. A pessoa vive por intermédio do outro, não tem vida própria, pensa continuamente no que o parceiro está fazendo.
O ciúme é bom e criativo, de outro lado, quando leva o casal a refletir e a conversar sobre os motivos. Quanto mais se nega que existe, mais forte ele fica. Então, vale a pena abrir o coração e pedir ajuda. Se o casal consegue conversar de maneira franca, pode recuperar a confiança mútua. Nas situações em que isso não basta, é aconselhável consultar um profissional e fazer acompanhamento psicológico. Ele pode ajudar a descobrir os motivos inconscientes que levam ao sentimento. Mas o mais importante é se esforçar para transformar emoções infantis em sentimentos criativos, por meio do diálogo, da compreensão, do autoconhecimento e do amor verdadeiro. Quem ama quer ver o parceiro ou a parceira livre e feliz.
Falando de relacionamentos
Encontrei este texto e não sei quem é o autor, mas vale a pena compartilhar....
Talvez esse seja o sentimento mais difícil de definir – não cabe em fórmulas prontas. Porém, neste tempo de tantos desencontros, viver um amor é desafio que depende menos de estratégia de conquistas e mais da revisão de nossas possibilidades e do tamanho de nossas expectativas. Sem a pretensão de esgotar o assunto, mostramos algumas maneiras de abrir caminho para o encontro amoroso, que vale a pena sempre, seja como for.
Amar vale a pena
Falar de amor é quase um vício. Perceba como boa parte de suas conversas, dos livros que você lê, das músicas que ouve tem a ver com isso. Os filmes, então, nem se fala. Nem o mais violento deixa de ter uma trama amorosa. Parece que a condição indispensável para sossegar o coração é encontrar alguém e compartilhar a vida. E isso parece cada vez mais difícil: o desencontro e a solidão têm sido uma marca desta época, em que as diferenças entre homens e mulheres ficam cada vez mais explícitas. Encontrar um grande amor pode ser, então, questão de pura sorte, uma manobra do acaso, mas na maior parte das vezes depende das escolhas que fazemos e de como alimentamos nossas expectativas. “O amor é revolucionário e exige que estejamos abertos para o novo, o inesperado. Quem procura alguém que se encaixe em seus parâmetros não quer um amor, mas apenas uma parceria para dissimular um vazio interno”, afirma o psicoterapeuta e escritor Alberto Pereira Lima Filho, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “Muita gente se diz pronta a viver uma experiência verdadeiramente intensa de amor, mas poucos se colocam disponíveis para isso.”
DE CORAÇÃO ABERTO
Essa atitude não acontece por acaso, mas por insegurança, medo ou apenas para defender o coração um dia rejeitado ou traído. A tendência é se retrair e guardar o amor a sete chaves, protegido por um muro de pedra. Em nossas fantasias românticas, podemos achar que basta estar flertando, seduzindo, nos mostrando disponíveis, mas na verdade estamos apenas na defensiva. Esquecemos que vale a pena mergulhar nesse sentimento, que dá substância à vida, sem ficar preso ao passado. “Muitas vezes nos mantemos afastados das pessoas, esperando que elas conquistem nosso amor. Esquecemos que é preciso dar amor e não apenas receber”, observa a escritora americana Marianne Williamson no livro Um Retorno ao Amor (ed. Novo Paradigma). É sempre bom lembrar que o amor é um sentimento de mão dupla, essencialmente baseado na troca de afeto, carinho e compreensão. Se você faz parte do grande grupo de pessoas que está só, briga com a solidão e tenta desvendar as artimanhas que levam ao amor, a primeira coisa a fazer é um questionamento.
OLHAR PARA DENTRO
Será que você deposita muitas expectativas sobre esse amor ideal? E assim aumenta suas exigências a ponto de o resultado quase sempre ser desilusão? “Não é nossa tarefa procurar o amor, mas buscar dentro de nós mesmos e superar todos os obstáculos que criamos para evitar que ele apareça”, resume Marianne Williamson. “Se isso não acontece, a tendência é escolher alguém inatingível, comprometido, por exemplo”, completa o psicólogo Ailton Amélio da Silva, autor do livro O Mapa do Amor (ed. Gente), de São Paulo.
Para que o amor floresça – e sobreviva –, é fundamental cultivar a aceitação e se dispor a experimentar conflitos. “Amar é desfrutar a deliciosa dificuldade de conviver com diferentes formas de agir, sentir e pensar”, define o psicoterapeuta Alberto Lima. “No entanto, tentamos anular as diferenças, forçando o parceiro a se adaptar a nossos moldes, sem perceber o mundo do ponto de vista da outra pessoa”, continua. “Essa abertura não significa abrir mão de nossos valores ou fazer tudo que o outro quer como garantia de amor. O importante é não ter a pretensão de usar critérios rígidos do que é certo ou errado, bom ou ruim. O que vale para um pode não valer para os dois.”
QUALIDADES E FRAQUEZAS
Boa parte dos problemas que surgem na fase de conquista ou no relacionamento nasce da frustração ao perceber que o companheiro não nos completa da maneira esperada. Segundo Marianne Williamson, se alguém não se comporta como um grande parceiro romântico, talvez isso signifique que ele não foi feito para assumir esse papel. “E isso não torna o relacionamento errado”, afirma. “Num casal em que os cônjuges se amam de verdade, o que um gosta no outro não é somente suas grandes qualidades mas também suas bobagens, suas fraquezas, seus defeitos”, confirma o teólogo e psicólogo francês Jean-Yves Leloup em seu livro Amar... Apesar de Tudo (ed. Verus).
Muitos desencontros começam quando prevalece o sonho de que vamos achar a cara-metade, um ser perfeito, que nos complete 24 horas por dia. Isso é impossível. “Para que haja uma aliança, é preciso dois inteiros. Amar outro inteiro é mais interessante do que amar outra metade”, afirma Leloup.
“Não podemos buscar no outro o que nos falta interiormente”, explica a antropóloga Miriam Goldenberg, escritora e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Quando nos sentimos plenos e preenchidos em nossas necessidades, estamos prontos para compartilhar.”
QUESTÃO DE AUTO-ESTIMA
E o que fazer para ser inteiro? Para nos abrirmos para o amor, sem querer que o parceiro compense nossas frustrações ou nosso vazio interno, primeiro devemos aprender a amar a nós mesmos. “Com base em uma fundação forte de amor próprio, surge uma disposição natural de amar os outros sem cobranças e expectativas”, diz Ken O’Donnell, consultor, escritor e diretor para a América do Sul da Organização Brahma Kumaris, entidade voltada para a difusão de valores humanitários e espirituais, no livro Lições para uma Vida Plena (ed. Gente). A questão da auto-estima afeta especialmente as mulheres. “Por mais que a sociedade evolua e descarte preconceitos ultrapassados, ela ainda está condicionada a querer alguém mais – mais velho, mais alto, mais bem-sucedido –, como se alguém valorizado por suas qualidades pudesse conferir mais valor a elas mesmas”, explica Miriam Goldenberg. “Ao basear suas escolhas em critérios como aparência, status ou situação financeira, homens e mulheres correm o risco de se frustrar, pois nenhuma qualidade externa atesta o que alguém leva no coração ou sua capacidade de amar”, salienta Alberto Lima.
Os caminhos do amor podem ser tortuosos, indecifráveis, cheios de mistérios, mas vale muito a pena aceitar o desafio e seguir. “É só uma questão de nos despirmos de nossas crenças e novos valores arraigados, da rigidez, do conservadorismo, da teimosia”, diz o terapeuta Alberto Lima, concluindo: “Não tenha medo de amar, mesmo que isso já tenha causado sofrimento no passado, pois só o amor cura as feridas do amor”.
Cupido entra em cena
Os gregos antigos tinham uma explicação simples para as tramas do amor. Para eles, eram maquinações do deus Eros (Cupido, para os romanos), que flechava os corações e despertava paixões fulminantes em deuses e mortais, seguindo as ordens da mãe, Afrodite (ou Vênus), a deusa da beleza e do amor. Assim, eles aproximavam os casais e, muitas vezes, para que se instalasse o conflito, atingiam um com a seta do amor e outro com a da repulsa por pura diversão.
As mulheres querem cumplicidade, e os homens, individualidade
Segundo pesquisa sobre amor, sexo e casamento realizada pela antropóloga carioca Miriam Goldenberg, os dois sexos exibem diferentes pontos de vista sobre o modelo de relação ideal. Depois de passar mais de três anos entrevistando aproximadamente 1,2 mil pessoas da classe média, com nível universitário, ela constatou que homens e mulheres valorizam em primeiro lugar o amor e o respeito mútuos, mas a partir daí as opiniões divergem. “As mulheres acreditam que no relacionamento as duas pessoas devem se integrar e se fundir como se fossem uma só, enquanto os homens querem preservar sua autonomia e individualidade”, conta Miriam. A pesquisa aponta que as mulheres sonham com cumplicidade, companheirismo e programas compartilhados, já os homens dão prioridade a compreensão, amizade, programas individuais e respeito ao espaço alheio. “Para o sucesso do relacionamento, é preciso buscar o equilíbrio entre o anseio das duas partes”, frisa a antropóloga.
Atitudes para encontrar e conservar o amor
• Abra o coração para o inesperado sem colocar tantas expectativas ou exigências a respeito do que seria a pessoa e o relacionamento ideais.
• Cultive a aceitação, a compreensão e a amizade. Esses são sentimentos fundamentais em toda relação.
• Fortaleça sua auto-estima, sem delegar a outra pessoa a tarefa de cuidar de você ou de preencher suas lacunas.
• Não cobre de seu parceiro o que você mesmo não pode fazer por si.
• Dê amor, em vez de ficar apenas esperando que alguém ideal venha lhe conquistar.
• Não deixe que as dores do passado contaminem os encontros do presente.
Talvez esse seja o sentimento mais difícil de definir – não cabe em fórmulas prontas. Porém, neste tempo de tantos desencontros, viver um amor é desafio que depende menos de estratégia de conquistas e mais da revisão de nossas possibilidades e do tamanho de nossas expectativas. Sem a pretensão de esgotar o assunto, mostramos algumas maneiras de abrir caminho para o encontro amoroso, que vale a pena sempre, seja como for.
Amar vale a pena
Falar de amor é quase um vício. Perceba como boa parte de suas conversas, dos livros que você lê, das músicas que ouve tem a ver com isso. Os filmes, então, nem se fala. Nem o mais violento deixa de ter uma trama amorosa. Parece que a condição indispensável para sossegar o coração é encontrar alguém e compartilhar a vida. E isso parece cada vez mais difícil: o desencontro e a solidão têm sido uma marca desta época, em que as diferenças entre homens e mulheres ficam cada vez mais explícitas. Encontrar um grande amor pode ser, então, questão de pura sorte, uma manobra do acaso, mas na maior parte das vezes depende das escolhas que fazemos e de como alimentamos nossas expectativas. “O amor é revolucionário e exige que estejamos abertos para o novo, o inesperado. Quem procura alguém que se encaixe em seus parâmetros não quer um amor, mas apenas uma parceria para dissimular um vazio interno”, afirma o psicoterapeuta e escritor Alberto Pereira Lima Filho, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). “Muita gente se diz pronta a viver uma experiência verdadeiramente intensa de amor, mas poucos se colocam disponíveis para isso.”
DE CORAÇÃO ABERTO
Essa atitude não acontece por acaso, mas por insegurança, medo ou apenas para defender o coração um dia rejeitado ou traído. A tendência é se retrair e guardar o amor a sete chaves, protegido por um muro de pedra. Em nossas fantasias românticas, podemos achar que basta estar flertando, seduzindo, nos mostrando disponíveis, mas na verdade estamos apenas na defensiva. Esquecemos que vale a pena mergulhar nesse sentimento, que dá substância à vida, sem ficar preso ao passado. “Muitas vezes nos mantemos afastados das pessoas, esperando que elas conquistem nosso amor. Esquecemos que é preciso dar amor e não apenas receber”, observa a escritora americana Marianne Williamson no livro Um Retorno ao Amor (ed. Novo Paradigma). É sempre bom lembrar que o amor é um sentimento de mão dupla, essencialmente baseado na troca de afeto, carinho e compreensão. Se você faz parte do grande grupo de pessoas que está só, briga com a solidão e tenta desvendar as artimanhas que levam ao amor, a primeira coisa a fazer é um questionamento.
OLHAR PARA DENTRO
Será que você deposita muitas expectativas sobre esse amor ideal? E assim aumenta suas exigências a ponto de o resultado quase sempre ser desilusão? “Não é nossa tarefa procurar o amor, mas buscar dentro de nós mesmos e superar todos os obstáculos que criamos para evitar que ele apareça”, resume Marianne Williamson. “Se isso não acontece, a tendência é escolher alguém inatingível, comprometido, por exemplo”, completa o psicólogo Ailton Amélio da Silva, autor do livro O Mapa do Amor (ed. Gente), de São Paulo.
Para que o amor floresça – e sobreviva –, é fundamental cultivar a aceitação e se dispor a experimentar conflitos. “Amar é desfrutar a deliciosa dificuldade de conviver com diferentes formas de agir, sentir e pensar”, define o psicoterapeuta Alberto Lima. “No entanto, tentamos anular as diferenças, forçando o parceiro a se adaptar a nossos moldes, sem perceber o mundo do ponto de vista da outra pessoa”, continua. “Essa abertura não significa abrir mão de nossos valores ou fazer tudo que o outro quer como garantia de amor. O importante é não ter a pretensão de usar critérios rígidos do que é certo ou errado, bom ou ruim. O que vale para um pode não valer para os dois.”
QUALIDADES E FRAQUEZAS
Boa parte dos problemas que surgem na fase de conquista ou no relacionamento nasce da frustração ao perceber que o companheiro não nos completa da maneira esperada. Segundo Marianne Williamson, se alguém não se comporta como um grande parceiro romântico, talvez isso signifique que ele não foi feito para assumir esse papel. “E isso não torna o relacionamento errado”, afirma. “Num casal em que os cônjuges se amam de verdade, o que um gosta no outro não é somente suas grandes qualidades mas também suas bobagens, suas fraquezas, seus defeitos”, confirma o teólogo e psicólogo francês Jean-Yves Leloup em seu livro Amar... Apesar de Tudo (ed. Verus).
Muitos desencontros começam quando prevalece o sonho de que vamos achar a cara-metade, um ser perfeito, que nos complete 24 horas por dia. Isso é impossível. “Para que haja uma aliança, é preciso dois inteiros. Amar outro inteiro é mais interessante do que amar outra metade”, afirma Leloup.
“Não podemos buscar no outro o que nos falta interiormente”, explica a antropóloga Miriam Goldenberg, escritora e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Quando nos sentimos plenos e preenchidos em nossas necessidades, estamos prontos para compartilhar.”
QUESTÃO DE AUTO-ESTIMA
E o que fazer para ser inteiro? Para nos abrirmos para o amor, sem querer que o parceiro compense nossas frustrações ou nosso vazio interno, primeiro devemos aprender a amar a nós mesmos. “Com base em uma fundação forte de amor próprio, surge uma disposição natural de amar os outros sem cobranças e expectativas”, diz Ken O’Donnell, consultor, escritor e diretor para a América do Sul da Organização Brahma Kumaris, entidade voltada para a difusão de valores humanitários e espirituais, no livro Lições para uma Vida Plena (ed. Gente). A questão da auto-estima afeta especialmente as mulheres. “Por mais que a sociedade evolua e descarte preconceitos ultrapassados, ela ainda está condicionada a querer alguém mais – mais velho, mais alto, mais bem-sucedido –, como se alguém valorizado por suas qualidades pudesse conferir mais valor a elas mesmas”, explica Miriam Goldenberg. “Ao basear suas escolhas em critérios como aparência, status ou situação financeira, homens e mulheres correm o risco de se frustrar, pois nenhuma qualidade externa atesta o que alguém leva no coração ou sua capacidade de amar”, salienta Alberto Lima.
Os caminhos do amor podem ser tortuosos, indecifráveis, cheios de mistérios, mas vale muito a pena aceitar o desafio e seguir. “É só uma questão de nos despirmos de nossas crenças e novos valores arraigados, da rigidez, do conservadorismo, da teimosia”, diz o terapeuta Alberto Lima, concluindo: “Não tenha medo de amar, mesmo que isso já tenha causado sofrimento no passado, pois só o amor cura as feridas do amor”.
Cupido entra em cena
Os gregos antigos tinham uma explicação simples para as tramas do amor. Para eles, eram maquinações do deus Eros (Cupido, para os romanos), que flechava os corações e despertava paixões fulminantes em deuses e mortais, seguindo as ordens da mãe, Afrodite (ou Vênus), a deusa da beleza e do amor. Assim, eles aproximavam os casais e, muitas vezes, para que se instalasse o conflito, atingiam um com a seta do amor e outro com a da repulsa por pura diversão.
As mulheres querem cumplicidade, e os homens, individualidade
Segundo pesquisa sobre amor, sexo e casamento realizada pela antropóloga carioca Miriam Goldenberg, os dois sexos exibem diferentes pontos de vista sobre o modelo de relação ideal. Depois de passar mais de três anos entrevistando aproximadamente 1,2 mil pessoas da classe média, com nível universitário, ela constatou que homens e mulheres valorizam em primeiro lugar o amor e o respeito mútuos, mas a partir daí as opiniões divergem. “As mulheres acreditam que no relacionamento as duas pessoas devem se integrar e se fundir como se fossem uma só, enquanto os homens querem preservar sua autonomia e individualidade”, conta Miriam. A pesquisa aponta que as mulheres sonham com cumplicidade, companheirismo e programas compartilhados, já os homens dão prioridade a compreensão, amizade, programas individuais e respeito ao espaço alheio. “Para o sucesso do relacionamento, é preciso buscar o equilíbrio entre o anseio das duas partes”, frisa a antropóloga.
Atitudes para encontrar e conservar o amor
• Abra o coração para o inesperado sem colocar tantas expectativas ou exigências a respeito do que seria a pessoa e o relacionamento ideais.
• Cultive a aceitação, a compreensão e a amizade. Esses são sentimentos fundamentais em toda relação.
• Fortaleça sua auto-estima, sem delegar a outra pessoa a tarefa de cuidar de você ou de preencher suas lacunas.
• Não cobre de seu parceiro o que você mesmo não pode fazer por si.
• Dê amor, em vez de ficar apenas esperando que alguém ideal venha lhe conquistar.
• Não deixe que as dores do passado contaminem os encontros do presente.
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